domingo, 11 de dezembro de 2011

Poesia

Mas o que acontece quando você finalmente percebe que não é útil se submeter aos impostos e para de pagá-los? 

Você é preso. 
Sou preso?
 Mas por que se não utilizo o que pago?
 Pagarei, então, só o necessário
Se for preciso, a educação. 
Mas não existe essa opção, 
Existe o pagamento ou a punição. 
Por que?
 Está escrito na constituição. 
Por que não disseste antes?
Contra um papel,
Não há solução.


"Desobediência Civil" de Henry David Thoreau conta a historia de quando Henry resolveu não pagar os impostos. Não á muito difícil de encontrar, nem de ler e é um livro essencial.

"Os homens hão-de aprender que a política não é a moral e que se ocupa apenas do que é oportuno."
H. D. Thoreau

sábado, 10 de dezembro de 2011

Fome, Pobreza e Miséria: de quem é a culpa?

 (de Rodrigo Barbosa Urbanski)

“ Mais e 100 mil pessoas morrem devido à fome todos os dias ao redor do mundo. A cada quatro minutos uma criança fica cega por falta de vitamina A. A cada sete segundos uma criança menor de dez anos morre devido à desnutrição”.



Todos nós, todos os dias, a qualquer passo nas ruas de qualquer cidade, sempre nos deparamos com seres humanos humilhados, miseráveis, pobres, famintos, magros, indesejáveis, desnutridos: o “outro”, o “não-ser”, as vítimas do sistema.

Portanto, pensamos: de quem é a culpa? Quem é o responsável pela miséria dos miseráveis? Podemos culpar alguém?

Pois bem, penso eu que os únicos responsáveis por está miséria e descaso é o Estado, o Capitalismo e classes ou pessoas que se julgam “superiores”.

O Estado por que?

O Estado Democrático de Direitos do Brasil, ou seja, a República Federativa do Brasil tem o dever, a obrigação de zelar por todos nós. Isso ocorre? Não.
  
Na Constituição Federal, existe princípios que asseguram, no papel, direitos fundamentais para todos os indivíduos. Direito de igualdade, liberdade de expressão, direito a um trabalho digno, direito a moradia, lazer, saúde, segurança, assistência aos desamparados e etcs a fim; uma infinidade de direitos e deveres. A Constituição Federal de 1988 é conhecida como a “Constituição Cidadã”, devido à amplitude de direitos consagrados pelo legislador.

Há muitos direitos assegurados na Constituição que não são válidos ( no sentido próprio da palavra ). Muitas vezes pagamos duas vezes pelo mesmo serviço, o qual o Estado deveria prestar, devido aos tributos que pagamos.

Um exemplo do texto legal da Constituição. Leiam algumas “pérolas” da Constituição Federal do Brasil, apenas algumas:

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Acredito que não preciso comentar sobre o referido artigo e incisos. Apenas um comentário: a Constituição Federal, segundos seus princípios do art. 170 ( Ordem Econômica ) é capitalista. Como erradicar a pobreza, a marginalização, reduzir as desigualdades sociais e promover o bem a todos se há princípios contraditórios? A Constituição Federal, onde valoriza o trabalho, a livre iniciativa, ampara a propriedade privada e a livre concorrência, princípios que consubstanciam o sistema capitalista, são princípios e soluções contraditórias, sendo que os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, nos incisos do artigo 3º e atentando também o inciso III do artigo 1º ( dignidade da pessoa humana ) da Constituição Federal, não são efetivados devidos ao sistema capitalista vigente, onde impossibilita que as pessoas vítimas do sistema tenham uma vida digna e decente.

O capitalismo, sem haver discórdias, gera a pobreza, miséria, desigualdades sociais, exclusão e degradação de seres humanos. Logicamente, é uma das causas, se não for a principal delas. Mas meu objetivo aqui é se concentrar no Estado.

Portanto, para não traçar outro caminho, voltemos às vítimas do sistema e o Estado.

O problema não é de hoje ou de ontem, é de séculos. O Estado é uma máquina falida, não economicamente. O Estado, Democracia, Capitalismo a sociedade de “classes” geram toda nossa miséria. 

O Estado não ampara. Existem princípios legais para combater toda miséria. Mas há contradições entre os princípios que impossibilita o exercício destes.

A vítima por si só não se emancipa sozinho. Depende daquele que é responsável geral por “tudo”: educação, saúde, trabalho, moradia etc. É um processo continuo que atinge famílias inteiras, onde o mesmo caminho dos pais, é o caminho dos filhos, em regra.

Agora, porque o Estado é um dos responsáveis pela miséria e degradação de milhares de Seres Humanos?

Ele deixa a desejar em pontos estruturais e de formação de muitas pessoas. Desde pequenas crianças até senhores de idade. O Estado se apossa de todo poder que lhe é outorgada (abstratamente), através das eleições, e ali, qualquer que seja o presidente, não ira mudar a nossa realidade.

Programas de “tapa-buraco” levam a população a ser cada vez mais independente. O Estado protetor que gera exclusão. A emancipação deveria ser a base: não dependemos do Estado e podemos viver sem ele. Se o Estado não existisse, talvez não haveria má distribuição de renda, até mesmo crimes poderiam diminuir, as desigualdades, a fome, pois um povo emancipado, independente poderia se manter as próprias custas e buscar o mínimo de vinculo com a negação da humanidade ( uma questão complexa e não faz parte do temo, por hoje ) . Mas “emancipar” o povão não interessa para o Estado. Quem irá sustentar a máquina estatal e seus “políticos” que pensam apenas no próprio rabo?

Todo o contexto é complexo. Podemos até escrever teorias, livros, teses em cima do tema. Mas a priori, o Estado contribui para a miséria do povo. Seja deixando de cumprir normas, princípios legais que garantem certos direitos aos miseráveis. Agora, se um Estado, não garante os direitos mínimos que um ser humano possui, qual a finalidade do Estado? Porque ele existe? Infelizmente eu sei...

Hai de ser tudo da lei

Artigo 32 da lei ambiental nº 9.605/98
“É considerado crime praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, doméstico ou domesticados, nativos ou exóticos.

Pena - Detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano e multa.
Parágrafo 1°. - Incorre nas mesmas Penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animais vivos, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
Parágrafo 2°. - A Pena é aumentada de 1 (um) terço a 1(um) sexto, se ocorrer a morte do(s) animal(s)."





Decreto 24.645 de 1934
"Todos os animais existentes no País são tutelados pelo Estado";
"Os animais serão assistidos em juízo pelos representantes do Ministério Publico, seus substitutos legais e pelos membros das Sociedades Protetoras dos Animais"


O engraçado nas leis é que elas só são levadas em consideração quando querem levá-las em consideração. Insulte um policial e verá ele fazer jus ao incompreensível 'desacato a autoridade'.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sessão Pipoca (sem manteiga)

Outro filminho excelente... se não viu, veja, vale muito a pena.
Divirtam-se!
NA NATUREZA SELVAGEM



FICHA TÉCNICA:

Título Original: Into the Wild

Gênero: Drama

Origem/Ano:  EUA/ 2007

Duração: 140 min

Direção: Sean Penn

Sinopse: "Dois anos ele caminha pela Terra. Sem telefone, sem piscina, sem animais de estimação, sem cigarros. Liberdade total. Um extremista. Um inusitado viajante cujo lar é a estrada. Fugiu de Atlanta. Não deseja voltar porque o Oeste é o melhor. E agora depois de dois anos de caminhada aproxima-se a grande e final aventura. A culminante batalha para matar o falso ser interior e vitoriosamente concluir a revolução espiritual. Dez dias e noites de comboios de mercadorias e de boléias trazem-no para o grande norte branco. Sem continuar a ser envenenado pela civilização ele foge e caminha solitário pela terra para se perder em meio à natureza selvagem."
Alexander Supertramp

Trailer: 



"A felicidade só é real quando partilhada"


Chá, café, manteiga, leite, carne...

"(...) mas se ele se punha a usar chá, café, manteiga, leite, carne, tinha que trabalhar pesado para pagar essas coisas, e depois de trabalhar pesado, tinha que comer pesado de novo para recompor os gastos do corpo - e que, feitas as contas, dava na mesma, e na verdade ele saía perdendo, pois estava descontente e tinha empenhado a vida naquele negócio -; no entanto, ele achava que saía lucrando ao vir para América, pois aqui podia ter chá, café e carne todos os dias. Mas a única verdadeira América é o país onde você tem liberdade de seguir um modo de vida que lhe permita passar sem essas coisas e onde o Estado não se empenha em obrigá-lo a sustentar a escravidão, a guerra e outras despesas supérfluas, que direta ou indiretamente resultam do uso de tais coisas (...)"
Walden
H. D. Thoreau



Transcrevendo Walden para os dias atuais, deparamo-nos com uma realidade mais árdua frente a que Thoreau já criticara. A imposição do sistema capitalista como única alternativa da vida moderna, alienou-nos no que rege o verdadeiro significado da palavra ‘felicidade’. Possuir o carro x, y ou z é ser feliz para você? Comprar o vestido w, g ou k te torna uma pessoa mais alegre? A felicidade de tais compras, se assim podemos dizer, é tão momentânea que logo quererás comprar outros e depois mais outros, enquanto aquelas antigas fontes imprescindíveis de felicidades foram logo esquecidas e descartadas. É, além de tudo, um desperdício constante de recursos, mas quem se importa? A Natureza está sendo devastadas? Espécies estão sendo extintas? Animais estão sendo torturados? Árvores estão sendo cortadas? Mas, novamente, quem se importa?

O mais engraçado de tudo é que reclamamos veementemente de nossos trabalhos, que estamos cansados, exaustos, mas por quê? Por que trabalhas tanto? Trabalhas, sim, porque queres a vida fútil, repleta de coisas desnecessárias que supõe indispensáveis para sua vida próspera. Então pare de reclamar, se queres sustentar o sistema, sustente-o de bom grado com sua exploração constante. Mas lembre-se, o capitalismo é uma força manipuladora que nos pressiona a nos tornarmos cada vez mais individualistas e, com certeza, pode ser entendido como o grande mal da humanidade. Nossa sociedade de consumo deve, assim, ser indubitavelmente posta em xeque, juntamente com aqueles assumidos reprodutores desse sistema brutal sem se importar com as consequências da exploração das classes que estão à margem. Não podemos nos deixar sermos massacrados e engolidos pela realidade excludente de um sistema que vive da própria miséria que cria! Para isso, é urgente que vejamos, de fato, a realidade a que estamos fadados a nos defrontar todos os dias.

Parodiando Bakunin, a felicidade do outro estende a minha ao infinito. Aquele que se acha feliz, mas se entristece só de pensar na realidade não pode ser considerado verdadeiramente feliz. Um real beato é aquele que é livre para pensar alegremente no mundo sabendo que todos, incluindo plantas e animais, estão vivendo suas vidas como antes da era escura do capitalismo.






quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A leitura engrandece a alma

 Quarto de Badulaques (XIV)
Rubem Alves



“(...) Do caos nasceram ordem, vida e beleza, da mesma forma como uma bolha de sabão sai, perfeita, do canudinho que o menino sopra... Aí fiquei com medo que a bolha estourasse antes da hora. Porque é isso, precisamente, que essa coisa a que damos o nome de progresso está fazendo. Todos os candidatos a presidente, todos, indistintamente, de direita e de esquerda, prometem “progresso”. Mas nenhum deles promete preservar a natureza. Qualquer menino sabe que a bolha de sabão é frágil. Não pode crescer sempre. Se crescer além do limite ela estoura. E nossa terra é precisamente uma bolha frágil que navega pelos espaços vazios, bolha onde apareceram, miraculosamente, as condições para que a vida viesse a existir. Mas, se essas condições desaparecerem, a vida deixará de existir. Muitas críticas justas já se fizeram ao capitalismo, de um ponto de vista ético, em virtude de sua tendência de produzir pobreza e concentrar riqueza. Mas raramente se fala sobre o capitalismo como um sistema autodestrutivo que, para existir e gozar saúde, tem de estar num processo de crescimento constante: mais empregos, mais trabalho, mais devastação da natureza, mais monóxido de carbono no ar, mais lixo – seis bilhões de quilos de lixo por dia! – mais exploração dos recursos naturais, mais florestas cortadas, mais poluição dos mananciais... Até quando a frágil bolha suportará? (...)”

A conselho de Nietzsche*

IMAGINE
(John Lennon)



Imagine não haver o paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum Inferno abaixo de nós
Acima de nós, só o céu

Imagine todas as pessoas
Vivendo o presente

Imagine que não houvesse nenhum país
Não é difícil imaginar
Nenhum motivo para matar ou morrer
E nem religião, também

Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

Você pode dizer que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia você junte-se a nós
E o mundo será como um só

Imagine que não ha posses
Eu me pergunto se você pode
Sem a necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade dos homens

Imagine todas as pessoas
Partilhando todo o mundo

Você pode dizer que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia você junte-se a nós
E o mundo viverá como um só



*Sem música, a vida seria um erro